P. Emerson Marcelo Ruiz, scj
Nascimento: 09.09.1852 (Sains)
Ordenação Presbiteral: 29.06.1879
Ingresso: 23.10.1880
Primeira Profissão: 21.11.1881
Profissão Perpétua: 17.09.1886
Falecimento: 15.06.1923 (Paris)
O P. Edmond Dessons ingressou na Congregação em outubro de 1880, pouco mais de um ano após a ordenação presbiteral pela Diocese de Soissons. Natural de Sains, onde sua família era muito ativa na paróquia, chegou até os Oblatos através da intermediação do P. Rasset e do Vigário Geral da Diocese (cf. PSC 335).
Em outubro de 1883, ele sucedeu o P. Falleur (nomeado diretor de Fayet) como ecônomo do Colégio São João. A partir de 1886, também ajudou nas “Missões Diocesanas” (cf. PSC 434), apostolado confiado aos padres lazaristas, mas que haviam abandonado o trabalho, levando o bispo a pedir ajuda ao Instituto… Segundo P. Ducamp, primeiro biógrafo de Padre Dehon (1936), foi o próprio fundador que preparou os missionários para este apostolado no qual diversos dos primeiros padres estiveram envolvidos (cf. NQT 3/66; NHV 15/45). Tratava-se da visita às paróquias, sobretudo na quaresma e nas festas dos padroeiros. Dedicavam-se a pregações, confissões, conferências, retiros, visitas às famílias, etc. Este serviço, que marcou o instituto sobretudo em sua “fase diocesana” (1884-1888), é muito bem descrito na biografia de P. Rasset (Um sacerdote do Sagrado Coração. Vida edificante de R. P. Alphonse-Maria Rasset” (1920) [PSC]).

Cinco anos depois, em 1891, P. Dessons foi nomeado “Procurador Geral”, cargo que ocupou até 1919 e, neste serviço, correspondeu-se com alguma frequência com Padre Dehon. Ele fez um bom trabalho, sobretudo através de registros de informações, o que muito ajudou nas pesquisas sobre as origens do instituto. Em 1894, foi designado superior da comunidade de Roma, função que desempenhou até 1914 (por vinte anos!), quando a residência foi fechada devido à I Guerra Mundial (1914-1918). P. Dessons residiu, portanto, nas três primeiras residências da congregação em Roma: Via Giulia (1894) Via del Monte Tarpeo (1894-1899) e Piazza Campitelli (1899-1914). Neste ofício, redigiu as Crônicas, texto que ajuda a compreender o cotidiano da comunidade: visitas, número de membros, celebrações, dificuldades, cursos nas universidades romanas, relação com a Santa Sé, etc. Manteve uma interessante correspondência com P. Falleur, o primeiro ecônomo geral. No dia 21 de abril de 1895, após a chegada de Padre Dehon, P. Dessons escreveu ao ecônomo: “Pensei que você teria dado ao “Très Bon Père” algum dinheiro para nós, em Roma, mas não chegou nada, e tenho apenas 50 francos no caixa. Não seria possível nos enviar 600 francos? Tenho que pagar o aluguel de abril e de maio […]. Este último mês foi muito pesado para nós […]” (cf. Studia Dehoniana n. 35 (1993), p. 126). Este e outros textos retratam as dificuldades econômicas da casa de Roma. A correspondência de P. Falleur indica, contudo, que a crise financeira não era um problema exclusivo daquela comunidade.
Em 1896, P. Dessons obteve sua licença em direito canônico, o que o ajudou muito em seu cargo de Procurador Geral. Em 1907, esteve à frente da negociação para o início dos trabalhos em Albino, primeira casa da Congregação na Itália (NQT 23/60). Em 1917, a pedido do Vigário Geral de Paris, aceitou o cargo de capelão na Obra Social de Villepinte (trabalho com mulheres em situação de vulnerabilidade), onde anteriormente havia trabalhado o P. Lamour. Permaneceu ali pouco tempo, pois adoeceu em abril de 1920 e morreu em Paris em 15 de junho de 1923.
Em janeiro de 1925, o fundador reconheceu a dedicação de P. Dessons ao inseri-lo entre os “primeiros apóstolos”: “Organizei meus negócios em São Quintino, coloquei o [Colégio] São João em ações e vendi a [casa] Sagrado Coração. Estou feliz por ter alcançado a pobreza, assim como outros estão felizes por se sentirem proprietários. Tenho mais um comunicado… meus primeiros confrades, meus auxiliares mais dedicados ao trabalho do Sagrado Coração. Eles são como os doze apóstolos. Citarei alguns deles: Padres Rasset, Paris, André, Charcosset, Roth, Falleur, Legrand, Jeanroy, Grison, Dessons, etc. Com qualidades diversas, trabalharam muito pela Obra do Sagrado Coração” (NQT 45/3).
A contribuição de P. Dessons pode ser contemplada no devotamento à organização interna na Obra através de seu trabalho junto à Santa Sé. Era um religioso realmente organizado! Ajudou, por exemplo, o fundador a preparar o terceiro volume de Coroas de Amor, publicado em 1905. Em um momento de forte expansão da Obra, soube testemunhar uma espécie de “vida escondida” (vie cachée), expressão muito comum nos textos do fundador. Neste apostolado, P. Dessons contribuiu de um modo particular com a solidificação dos alicerces do Instituto e é essa rica diversidade que o fundador enaltece: “com qualidades diversas, trabalharam muito pela Obra do Sagrado Coração”!