Jubileu reúne Família Dehoniana em Quito
Fr. Ricardo Vinter, scj
Entre os dias 9 e 13 de março de 2026, a cidade de Quito, no Equador, recebeu o encontro do Jubileu Dehoniano sob a égide Adveniat Regnum Tuum.
O dia da chegada foi coroado com a celebração da Santa Missa, ao cair da tarde da segunda-feira, presidida pelo P. Bruno Roque dos Santos.
Na manhã da terça-feira, dia 10, aconteceu a Santa Missa de abertura do encontro, presidida por P. Benjamin Ramos Fraile (Superior do Distrito Equador), o qual reforçou, à luz do Evangelho, o compromisso do perdão, que deve exceder toda medida, tendo como referência a misericórdia.
A manhã de espiritualidade foi conduzida pelo Superior Geral, P. Carlos Luís Suárez Codorniú, que apontou para a importância de uma memória agradecida e de uma fidelidade criativa, sendo concluída com a Adoração Eucarística.
À tarde, houve a conferência “Importância de São Quintino na vida de Padre Dehon e da Congregação”, ministrada pelo P. José Agostinho Sousa (membro da província portuguesa, mas residindo em São Quintino). Destacaram-se aspectos de Padre Dehon como apóstolo incansável em uma sociedade em mudança; profeta da civilização do amor; pastor dedicado ao Evangelho e ao povo; e homem de trabalho em equipe.

P. Emerson M. Ruiz, diretor do CELDE (Centro de Estudos Léon Dehon).
Na mesma tarde, P. Emerson Marcelo Ruiz (BSP) ministrou uma conferência intitulada “Uma Congregação missionária: a insistência missionária de Padre Dehon, apesar dos fracassos – Equador”. Um resumo desta conferência se encontra na seção “Nossas Origens” deste número do Informativo CELDE.
O primeiro dia de estudos foi concluído com a oração do terço mariano e um momento de convivência entre as províncias.
A quarta-feira, dia 11 de março, teve como objetos de estudo a formação e o apostolado. A abertura do dia contou com a Santa Missa, presidida pelo conselheiro geral, P. Willyans Prado Rapozo.
A primeira conferência do dia, ministrada pelo P. Renato Vieira Lima (BRM), teve como tema “Formar com o coração: o discernimento do Reino na missão formativa do Padre Dehon”, culminando em trabalho de grupo e socialização entre os participantes.
A conferência seguinte, ministrada pelo P. Délio Ruiz (membro do Distrito Equador, mas trabalhando na Colômbia), foi intitulada “Padre Dehon como formador: redescobrindo as fontes dehonianas”.
O período vespertino também contou com duas conferências: a primeira, intitulada “A família na obra ‘Catecismo Social’ de Padre Dehon”, apresentada pelo P. Emerson M. Ruiz; e a segunda, “Padre Dehon missionário nos escritos do apostolado social: as conferências romanas e os desafios contemporâneos”, ministrada pelo P. Lukasz Grzejda (ACS). Ambas culminaram em trabalho de grupo e consequente socialização.
O dia foi concluído com Adoração Eucarística e um momento de convivência fraterna.
A quinta-feira, dia 12, teve como temas norteadores a juventude e a síntese carismática. O dia iniciou com a Santa Missa, presidida pelo P. Pedro Silva de Moura (BRE).

P. Victor Oliveira Barbosa (BSP).
A primeira conferência foi ministrada pelo P. Victor Oliveira Barbosa (BSP), com o tema “Adveniat Regnum Tuum em Padre Dehon: Reino, reparação e oblação”. Em seguida, houve a conferência “Profetas do amor: a missão dehoniana e a construção do Reino”, ministrada pelo P. Willyans Prado Rapozo. A manhã de estudos foi concluída com a oração do terço.
No período vespertino, o Superior Geral dirigiu a palavra aos jovens que chegaram para participar do encontro. Ao final da tarde, a última conferência do jubileu foi ministrada pelo P. Victor Oliveira Barbosa, com o tema “Amar com o coração: seguir a Jesus nos passos de Padre Dehon”. O dia de estudos e oração foi concluído com solene Adoração Eucarística.
A sexta-feira, dia 13, iniciou-se com a Santa Missa, presidida pelo P. Ricardo Diniz (GER). Em seguida, o dia foi dedicado a passeio pelo “centro do mundo” e uma peregrinação entre a Basílica do Voto Nacional e a Igreja El Belén, sede da primeira comunidade SCJ em Quito, em 1889. Ali foi realizada uma comovente Adoração Eucarística.

Celebração de encerramento na Basílica del Voto Nacional (Equador).
O sábado, dia 14, iniciou-se com Adoração Eucarística, que precedeu a Missa de encerramento do jubileu dehoniano, presidida pelo Superior Geral na Basílica do Voto Nacional, o qual enviou e exortou os presentes a continuarem seguindo as pegadas de seu fundador, neste carisma que permanece atual na Igreja de Jesus Cristo. Ao final da missa, foi lida a “mensagem final”, que também se encontra neste número do Informativo CELDE.
Mensagem Final do Encontro Jubilar de Quito
Memória agradecida e fidelidade criativa
Quito, 14 de março de 2026.
183 anos do nascimento de Padre Dehon,
Dia mundial de oração pelas vocações dehonianas.
Caros membros da Família Dehoniana,
Reunidos entre os dias 9 e 14 de março de 2026, na histórica cidade de Quito, no Equador, vivemos dias de comunhão e renovação espiritual. Este encontro foi um verdadeiro kairós no contexto do nosso Jubileu, que marca o centenário da páscoa do nosso fundador (2025) e prepara o sesquicentenário da fundação da nossa Congregação (2028). Éramos, ao todo, 78 participantes: tivemos a presença de representantes de 16 nacionalidades e 13 entidades, entre religiosos e leigos da Família Dehoniana. A presença vibrante dos nossos jovens, que participaram ativamente nos últimos três dias, foi um testemunho da atualidade do carisma e da esperança de um Reino que se renova em cada geração.
A escolha de Quito como sede deste jubileu é simbólica. Foi aqui que, em 1888, Padre Dehon enviou os primeiros missionários para além da Europa – os padres Gabriel Grison e Irineu Blanc –, demarcando o desvelamento da dimensão missionária ad gentes do nosso Instituto. Relembramos a história da missão equatoriana, marcada pelas dificuldades enfrentadas e pelo desejo de instaurar o Reino Social do Coração de Jesus.
Embora a missão tenha sido interrompida em 1896 devido a perseguições políticas, aprendemos em Quito que o que parece um fracasso humano é, na verdade, uma semente da graça. O aparente insucesso no Equador abriu as portas para as missões no Congo e no Brasil (cf. NQT 11/122), confirmando que a cruz é o critério para avaliar nossos projetos apostólicos.
Reconhecemos que esta vitalidade missionária se manteve ao longo da história da nossa família religiosa e atualmente se expressa, em particular, nas novas fundações da Congregação: Colômbia (2020), Países Baixos (2021), Noruega (2023) e Cuba (2025). Estas novas frentes de missão foram recordadas muitas vezes neste encontro jubilar e por isso saudamos de modo afetuoso todos os confrades que se encontram nessas e em todas as fronteiras, testemunhas de que somos uma “Congregação em saída”, que não teme avançar para águas mais profundas.
O eixo central de nossas partilhas foi o lema Adveniat Regnum Tuum. As reflexões, organizadas pela Comissão Teológica da América Latina (CTDAL), aprofundaram a compreensão de que o Reino de Deus é a ação amorosa que transforma o mundo. Ser testemunha da primazia do Reino (cf. Cst 10) exige unir a contemplação do Coração aberto com a missão de reconciliar a humanidade.
O encontro foi estruturado para integrar estudo, oração e fraternidade. Os temas abordados centraram-se na memória histórica e na missão, examinando o valor das nossas origens e a persistência missionária do fundador. Analisamos seu trabalho em Saint Quentin, seu zelo como formador e seu compromisso social. O Reino do Coração de Jesus serviu de fio condutor de todos os temas.
A celebração diária da Santa Missa, a Adoração Eucarística e a recitação do Rosário nos permitiram interiorizar o patrimônio carismático e renovar o compromisso missionário, constituindo o ápice do nosso encontro. A peregrinação da Basílica do Voto Nacional até a Igreja de El Belén, refazendo os passos dos primeiros missionários, renovou nossa disponibilidade para o serviço do Reino.
A presença e as palavras do Superior geral, P. Carlos Luis Suárez Codorniú, e do Conselheiro geral, P. Willyans Prado Rapozo, significaram a comunhão com toda a Congregação e reforçaram a necessidade de uma memória agradecida e de uma fidelidade criativa que preserve a profecia de nosso carisma.
Ao encerrarmos este jubileu em Quito, agradecemos a zelosa organização e o cordial acolhimento do Distrito Equador.

Partimos com a convicção de que cada membro da Família Dehoniana é, essencialmente, um missionário, convocado a ser “pessoa de fronteira”, dialogando com os temas urgentes que afligem a humanidade nesta estação da história.
Reafirmamos nosso compromisso de promover o Reino nas almas e nas sociedades por meio de ações concretas que enfrentem as “coisas novas” do nosso tempo, tais como: indiferença religiosa e secularismo, polarizações políticas e desigualdade social, crise climática, migrações, mundo digital e inteligência artificial.
Renovamos nossa união com Jesus, o verdadeiro profeta do amor e servo da reconciliação (cf. Cst 7). Assumimos o compromisso com os valores do seu Reino: o diálogo profético, a busca de uma linguagem transfigurada pela misericórdia e a escuta atenta aos sinais dos tempos (cf. Cst 35). Acreditamos que a amizade social, enraizada no Sint Unum, é um tesouro do carisma dehoniano que cura a fragmentação do mundo, devendo ser testemunhada com ousadia. Cremos que, à luz do Coração de Jesus a missão é uma questão de amor (cf. DN 208) e tem como fruto e horizonte a santidade, a exemplo de João Maria da Cruz, de quem celebramos os 25 anos de beatificação.
Que a caneta de nosso Fundador, “que nunca parou de escrever”, continue em nossas mãos, redigindo novos capítulos de amor e reparação na história. Unidos no mesmo carisma, seguimos em nossa peregrinação com grande esperança, rezando sempre com renovado ardor: Adveniat Regnum Tuum!
Participantes do Encontro Jubilar de Quito