
Os encontros formativos com os colaboradores da Faculdade Dehoniana, realizados nas últimas sextas-feiras de agosto e setembro, abordaram os capítulos quatro e cinco do livro Leão Dehon: Fundador da Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus, de autoria do Pe. Yves Ledure, SCJ.
O quarto capítulo, “Em busca de novos horizontes”, foi apresentado pelo Fr. Ricardo Vinter, SCJ, que apresentou a trajetória da Congregação do Padre Dehon, destacando a busca por novos horizontes de expansão e de atuação pastoral após o decreto de louvor recebido de Roma em 1888.
O livro do Pe. Yves apresenta ao leitor o cenário em que esses acontecimentos ocorreram: uma França pós-Revolução, que instaurou a República e era marcada pelo choque entre a tradição cristã e um Estado laicista. Nesse contexto, Dehon fundou a revista O Reino do Coração de Jesus nas almas e nas sociedades. “Padre Dehon visa a delinear uma perspectiva de futuro nesta sociedade que perde seus traços cristãos. Procura encontrar um caminho de evangelização dessa sociedade, tal qual ela se constrói”, afirma Pe. Yves.
Seguindo o apelo do Papa Leão XIII, que pedia aos católicos franceses que aceitassem a República, Padre Dehon lembrava em seus escritos que aquela era “uma forma de governo entre outras e que, nesse sentido, não tem nada de anticristão”.

Já o quinto capítulo, “Problemas da sociedade”, apresentado pelo Pe. Emerson Marcelo Ruiz, diretor do CELDE (Centro de Estudos Léon Dehon) e responsável pelo projeto Formação Dehoniana, abordou o apostolado social de Padre Dehon.
“Na perspectiva dehoniana, a ação social não era sociologia ou filantropia profana, mas a dimensão externa da reparação e a extensão do reinado de Cristo sobre as estruturas da sociedade. O pecado social – visível na exploração do trabalhador, na usura e na miséria – feria diretamente o Coração de Jesus”, explica o diretor.
Dehon recebeu do Papa Leão XIII a missão de propagar as encíclicas sociais da Igreja, entre elas a Rerum Novarum (1891), que ofereceu uma resposta teológica e moral da Igreja às injustiças da era industrial. Dehon tornou-se um educador social em nível nacional na França, por meio de conferências e da formação de lideranças, promovendo a Doutrina Social da Igreja (DSI).
“Entre 1888 e 1903, Padre Dehon transformou sua experiência pastoral junto ao mundo operário em um amplo apostolado de formação, publicação e mobilização eclesial. Para ele, fazer reinar o Coração de Jesus nas sociedades significava trabalhar pela justiça, pela dignidade dos trabalhadores e pela renovação cristã das relações sociais”, finalizou Pe. Emerson.
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