A direção e o corpo técnico-administrativo da Faculdade Dehoniana se reuniram na última sexta-feira de junho (26) para continuar os estudos sobre o fundador, Padre Léon Dehon. No quarto encontro do projeto Formação Dehoniana, foi abordado o tema “Início equivocado e ressurreição”, terceiro capítulo do livro “Leão Dehon: Fundador da Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus”, de autoria do Pe. Yves Ledure, SCJ.
Após a fundação da Congregação, que levava o nome de “Oblatos do Coração de Jesus”, o Padre Dehon passou por uma sobrecarga de trabalho que comprometeu gravemente a sua saúde. Além disso, ele viveu um momento histórico de “transição” na política francesa.
“Havia um grupo de partidos políticos (socialistas, maçons, republicanos radicais, etc.) que se opunha fortemente à Igreja Católica, especialmente às congregações religiosas, e buscava impedir que elas tivessem ‘escolas confessionais’”, explicou o Pe. Emerson, coordenador do CELDE (Centro de Estudos Léon Dehon) e formador deste projeto. Dessa forma, a cada eleição nacional, esse grupo de oposição à Igreja se fortalecia.

Paralelamente, a situação do fundador na Diocese de Soissons era complexa, como afirmou o Pe. Emerson: “Padre Dehon não fez sua formação presbiteral na Diocese onde começou seu ministério (Soissons). Se, por um lado, era um padre brilhante, por outro, era também um grande desconhecido. Os bispos precisavam dele, mas o queriam apenas como padre diocesano e à frente de uma congregação diocesana, não como religioso e fundador de uma congregação de ‘direito pontifício’.”
Em meio a todo esse contexto, o Padre Dehon acolheu as “mensagens” de uma religiosa chamada “Maria de Santo Inácio”, que afirmava receber revelações de Jesus, e associou-se a um padre problemático chamado “Pe. Captier”. “O bispo Dom Thibaudier levou o caso para a Santa Sé (Roma), que suprimiu a congregação em dezembro de 1883. Todo esse processo foi chamado de ‘Consummatum Est’ (tudo está consumado)”, explanou o Pe. Emerson.
Mais tarde, em março de 1884 (quatro meses depois da “Consummatum Est”), a Obra do fundador foi restaurada. Embora tenha sido um momento trágico na história da Congregação, esse episódio trouxe amadurecimento ao Padre Dehon (então com 35 anos) e aos primeiros membros da Congregação.
Ao longo dos anos seguintes, Dehon conseguiu administrar sua saúde, embora a relação com os bispos de Soissons tenha permanecido como um desafio até o início do século XX (1900), quando a obra adquiriu um caráter mais fortemente universal. Por outro lado, a batalha contra o Estado francês foi perdida: a perseguição aumentou a cada ano, levando à expulsão da congregação da França em 1903.
O próximo encontro, que será realizado no mês de agosto, estudará o quarto capítulo, intitulado “Em busca de novos horizontes”.