P. Falleur: O Primeiro Ecônomo da Congregação

P. Emerson Marcelo Ruiz, scj

P. Falleur (sentado) ao lado de algumas “vocações tardias” 
no seminário de Brugelette (Bélgica), por volta de 1913.

P. Falleur (sentado) ao lado de algumas “vocações tardias” no seminário de Brugelette (Bélgica), por volta de 1913.

Nascimento: 17.06.1857

Profissão Religiosa: 21.11.1881

Votos Perpétuos: 17.09.1886

Ordenação Presbiteral: 23.09.1882

Falecimento: 01.05.1934

 

A história do P. Falleur é uma das mais bem documentadas da Congregação, sobretudo em consequência do elevado número de cartas que enviou e recebeu de Padre Dehon, do envolvimento em vários projetos do início da Obra e da participação em todos os Capítulos Gerais (10!) até sua morte em 1934. Além disso, P. Manzoni escreveu sua longa biografia em 1990 (cf. Studia Dehoniana 24).

Teodoro Eduardo Falleur nasceu em 1857, no pequeno vilarejo de Effry, em Thierache (Aisne), ao sul de La Capelle, e fez seus estudos no seminário em Nossa Senhora de Liesse, na Diocese de Soissons. Enquanto frequentava o Seminário Maior, sentiu-se chamado à vida religiosa e, em 1879 entrou para a recém-fundada Congregação de Padre Dehon. Tinha, naquele momento, 22 anos  e foi um dos mais jovens da primeira geração.

Ele é o autor dos “Cadernos Falleur” (CFL): no período de Noviciado (final de 1879 a meados de 1881), redigiu cinco cadernos de anotações com “conferências e sermões” aos noviços, um documento precioso para o conhecimento das primeiras intuições do Fundador. Estes manuscritos revelam alguns traços da personalidade de P. Falleur: organização, registro de todas as informações, zelo pelo patrimônio carismático da Obra. Professou os votos em novembro de 1881 e foi ordenado sacerdote em setembro de 1882.

No início de 1883, Padre Dehon decidiu fundar um Noviciado fora da França – protegendo-o da perseguição às congregações religiosas – e, por isso, enviou para Sittard (Holanda) os padres Falleur e Francisco Lamour, que começaram o trabalho com pobreza e dificuldades. Segundo Padre Dehon, foram enviados “alguns noviços, e não demorou muito para que lá recrutassem alguns postulantes (…) A Congregação agora parecia bem estabelecida. Ela tinha sua Casa-mãe do Sagrado Coração (Casa para adoradores e pregadores), a Escola apostólica em Fayet e o Noviciado em Sittard” (NHV 14/162), mas então veio o “Consummatum est” (dezembro de 1883) e tudo mudou! P. Falleur foi obrigado a deixar Sittard para assumir a Escola de Fayet, onde P. Captier, até então diretor, havia sido removido por força do decreto do Santo Ofício.

Posteriormente, foi diretor da “maîtresse” (uma espécie de escola) junto à Basílica de São Quintino (1886-1893), um trabalho vocacional e social com aproximadamente 50 crianças que ajudavam na liturgia das missas e recebiam educação da Igreja.

No Capítulo Extraordinário de 1888 (após o Decretum Laudis), o P. Falleur, que já ocupava a função de Ecônomo Geral, foi eleito Procurador Geral. Nesta função, ele manteve correspondência com os missionários espalhados pelo mundo e organizou um arquivo das cartas e informações recebidas.

Nos anos seguintes, dedicou-se à Escola de Fayet e ao Colégio São João, função que foi obrigado a deixar no período em que foi nomeado Superior do Noviciado de Fourdrain (1897-1905). Em 1912, fundou na Bélgica uma escola para “vocações tardias”, iniciativa que trouxe muitos consagrados para a Obra.

Foi Ecônomo Geral até sua morte, em 1934. O tempo em que permaneceu no cargo, mesmo após a morte do Fundador, testemunha como era respeitado, embora nem sempre tenha sido compreendido. P. Falleur vivenciou vários desafios dos primórdios: o “consummatum est”, a falta de recursos econômicos, as oposições ao Fundador, a expulsão da França… Acompanhou principalmente o problema da falta de dinheiro para uma Congregação que crescia rapidamente e precisava de recursos para manter seminários e missionários (cf. LCC 115720). Quem administrava essas urgências era P. Falleur, muitas vezes com acertos, outras com vacilos.

Escrever um breve relato sobre a história de P. Falleur é difícil, pois dispomos de muito material e sua vida se entrecruza com a complexa história das origens, marcada por dificuldades, projetos bem-sucedidos e outros falidos, perseverança e devoção. A abundância das informações testemunha especialmente a oblação vivenciada como pertença, pois os registros não falam do personagem, mas sim do apostolado zeloso dedicado à Congregação.

Concluindo, é possível afirmar que a história de P. Falleur sintetiza um duplo devotamento: imolou-se tanto pelo patrimônio material (economia) como pelo patrimônio carismático, não somente através do registro das conferências do noviciado (Cahiers Falleur), mas também na preservação de textos decisivos para compreender o desenvolvimento da Obra.