P. Emerson Marcelo Ruiz, scj
Nascimento:01/01/1861 – Piètrebais, Bélgica
Entrada na Congregação:15/02/1881
Primeira profissão religiosa:24/03/1882 – São Quintino, França
Ordenação sacerdotal:29/06/1885 – Soissons, França
Falecimento:18/05/1944 – Jolimont, Bélgica
Arthur Paul de la Croix Delgoffe nasceu em Piètrebais, na Bélgica, no primeiro dia do ano de 1861. Marcado desde a juventude por uma inclinação para a vida contemplativa, fez inicialmente uma breve experiência na Abadia dos Trapistas em Chimay, retirando-se contudo devido ao seu temperamento impetuoso. Aos 20 anos, em fevereiro de 1881, conheceu em São Quintino a Congregação dos Oblatos do Sagrado Coração de Jesus e ingressou no grupo de seguidores de Padre Dehon (NHV 14/69).
Professou os seus primeiros votos religiosos em 24 de março de 1882. No mesmo ano de 1882, assumiu a missão de ser o primeiro professor da Escola São Clemente. Foi ordenado sacerdote na diocese de Soissons em 29 de junho de 1885, após vivenciar com Padre Dehon o evento do Consummatum est. Segundo o P. E. Driendokx, tendo recebido uma formação acadêmica inicial pouco profunda, lacuna que lamentou ao longo de toda a vida, o P. Delgoffe buscou remediar essa deficiência mediante o estudo diário e disciplinado de seu manual de teologia
Entre 1885 e 1903, o P. Arthur Delgoffe viveu integrado à comunidade do Sagrado Coração em São Quintino. Consagrado prioritariamente ao ministério da pregação, participou ativamente de diversas iniciativas missionárias e pregou diversos retiros espirituais na diocese de Soissons.
Sua atuação e zelo nas missões paroquiais eram amplamente reconhecidos pelos confrades. Suas missões o levaram a recorrer a diversas paróquias e comunidades da região, alimentando sempre o desejo de que a pregação de retiros e as missões populares se consolidassem como obras centrais da jovem Congregação.
À semelhança de outros religiosos do primeiro grupo congregacional, a trajetória do P. Delgoffe não esteve isenta de conflitos e incompreensões internas. Homem de temperamento impetuoso, e por vezes desprovido de prudência, envolveu-se diretamente na oposição a Padre Dehon durante a crise da década de 1890. Em 12 e 30 de julho de 1896, enviou duas cartas ao bispo de Soissons, Dom Duval, com duras críticas ao Fundador. Em 1897, assinou também o manifesto do P. Bernard Blancal contra o governo congregacional (Carta de Blancal et al. a L. Dehon, 6 de julho de 1897).
Contudo, uma análise equilibrada exige evitar leituras reducionistas: não se deve apresentar o P. Delgoffe como um opositor irrecuperável, nem omitir sua participação nos momentos conturbados da história da obra. Os documentos mostram que essas divergências foram posteriormente superadas; o próprio Padre Dehon assinalou a “conversão” do P. Delgoffe ao afastar-se da oposição (Carta de L. Dehon a S. Falleur, 12 de julho de 1897). Em 6 de janeiro de 1920, o P. Delgoffe escreveu uma carta a Padre Dehon pedindo-lhe formalmente perdão pelas suas atitudes passadas e reafirmando a sua comunhão com o Fundador (Carta de P. Delgoffe a L. Dehon, 6.1.1920).
Em 1903, em decorrência das leis anticlericais na França e da consequente expulsão dos religiosos não franceses (cf. NTQ 18/46), o P. Delgoffe refugiou-se na Bélgica, estabelecendo-se em Quévy/Aulnois. Foi em Quévy que passou a maior parte do restante de sua vida, dedicando cerca de 37 anos ao pequeno santuário de Nossa Senhora de Lourdes, onde vivia de forma humilde e simples em comunidade, entregando-se à oração e à pregação.
Apesar de suas particularidades temperamentais, a Congregação confiou-lhe importantes responsabilidades formais e institucionais: Superior local da comunidade de Quévy (1910-1913); Reitor do Noviciado em Brugelette (1914-1917); Conselheiro Provincial da Província Belgo-Luxemburguesa (1930-1937).
O perfil do P. Arthur Delgoffe reúne traços marcantes dos primeiros seguidores dehonianos. Pessoa de profunda piedade, austera e escrupulosa. Mantinha uma veneração especial pelo P. André Prévot e destacava-se pelo espírito de oração. Por ocasião do septuagésimo aniversário do Padre Dehon em 1913, fez questão de enviar-lhe uma calorosa mensagem de felicitações.
Faleceu em Jolimont, na Bélgica, em 18 de maio de 1944, aos 83 anos de idade. A memória congregacional preservada por seus confrades no seu necrológio recorda-o como um dos pioneiros da Congregação que, a despeito das limitações humanas e do temperamento forte, viveu profundamente a piedade e o espírito inicial de imolação e doação incutidos pelo Fundador.