Editorial inFormativo CELDE 03

Fevereiro: memória, oblação e vitalidade apostólica

Para Padre Dehon, o mês de fevereiro possui uma densidade espiritual e pastoral muito peculiar, iniciando-se com o mistério da Apresentação de Jesus no Templo, data que ele descreve como a “festa da oblação de Nosso Senhor” (NQT 40/103). Além disso, esta data remete às “graças místicas de 1878” (NHV 13/58), início das “luzes de oração” de Maria de Santo Inácio. Adicionalmente, o mês de Fevereiro também destaca figuras importantes para a tradição dehoniana, como Nossa Senhora de Lourdes (11 de fevereiro), São Cláudio de la Colombière (15 de fevereiro) – o apóstolo encarregado de propagar a devoção ao Sagrado Coração (ASC 02/188) –, e a São Matias (24 de fevereiro, no Calendário pré-conciliar), reconhecido como o apóstolo da reparação, escolhido para substituir Judas em sua missão (ASC 02/318).

Apresentação do Senhor - Giotto di Bondonena (1304).

Apresentação do Senhor – Giotto di Bondonena (1304).

Particular atenção merece o dia 25 de fevereiro de1888 (Decretum Laudis), uma “data sagrada” na história da Congregação, que demarca o fim da “idade heroica dos começos” (1878-1888) (NQT 44/153). O ponto central dessa transição foi o Decretum Laudis, que Dehon classificou como o “selo oficial” de aprovação da Igreja após a dolorosa prova do Consummatum est (cf. NQT 44/99). Com o início do processo de reconhecimento pontifício, a Obra, que já contava com aproximadamente 80 membros, consolidou-se simbolicamente como uma “flor que germinou e floresceu” entre os “arbustos e espinhos” (NHV 15/92).

Com a segurança jurídica do decreto, a Congregação ingressou em seu “período apostólico” (NQT 44/99). Percebe-se uma ampliação na compreensão de pastoral: uma visão anteriormente mais “conventual” deu lugar a uma abertura que produziu um apostolado que, como perfume, espalhou-se pelo mundo. O marco inicial desta expansão foi o envio da primeira missão ao Equador (NQT 44/99), depois ao Brasil (1893) e ao Congo (1897), sinalizando que a Obra deixava de focar apenas na estruturação interna ou nos contornos de uma diocese, para projetar-se como uma força missionária global.

Logo em seguida, esta nova estabilidade permitiu ao Padre Dehon intensificar sua atuação social, recebendo do Papa Leão XIII, em setembro de 1888, a missão de “pregar suas encíclicas” (NHV 15/97). Este mandato impulsionou um período de maior fecundidade intelectual, resultando em obras como o Manual Social Cristão (1894) e o Catecismo Social (1898). Assim, a data de 25 de fevereiro de 1888 demarca uma nova estação na história da vida de Padre Dehon e da congregação e, como tal, a data merece memória e zelo.

Neste contexto de vitalidade apostólica da Obra, apresentamos os artigos deste terceiro número de Informativo CELDE:

O primeiro artigo – Cst 2: a experiência fundante do carisma dehoniano –, escrito pelo P. José Valdinã (BRE), aborda o significado do n. 2 das Constituições como chave de leitura da identidade dehoniana, reconduzindo o leitor à experiência espiritual fundante de Padre Dehon e à sua atualidade para a vida e a missão da Congregação. Trata-se de um convite a reencontrar, nas origens, a fonte viva do nosso carisma.

O segundo artigo, sobre a obra Pequeno Diretório para Reitores, aborda a missão do superior como um “sacramento do amor”, ancorando a liderança dehoniana no Coração de Jesus, o Cristo mestre. A obra organiza os deveres do reitor (superior) em quatro pilares essenciais: amar com paciência, edificar pelo exemplo, instruir com solidez e corrigir enfocando na santificação. Trata-se de um guia prático e espiritual que permanece atual ao oferecer orientações para o cuidado integral dos membros de uma comunidade e ao recordar a relação fundamental da comunidade com seu superior.

O terceiro artigo apresenta um breve retrato do P. Teodoro Eduardo Falleur, um dos protagonistas silenciosos das origens da Congregação. A partir de sua estreita colaboração com Padre Dehon, o texto evidencia como sua vida foi marcada por um duplo serviço: o cuidado com o sustento material da Obra (foi primeiro ecônomo geral) e a preservação do patrimônio carismático. Trata-se de uma leitura que ajuda a compreender como o carisma se constrói também através da fidelidade cotidiana e do trabalho como expressão da oblação.

Na seção “Notícias”, reunimos detalhes sobre dois importantes eventos formativos que ocorreram em janeiro: o Curso de Verão, realizado no Seminário Dehonista de Lavras, e o Curso de Preparação para Votos Perpétuos, promovido no Convento SCJ, em Brusque.

Que este mês, emoldurado por datas congregacionais tão significativas, represente um início de ano abençoado para todos. Boas leituras.

P. Emerson Marcelo Ruiz, scj
Diretor do CELDE