Cst 6: A serviço da Igreja, segundo o Coração de Jesus

P. Estefano Jacob Jonasse (MOZ)

 

A serviço da Igreja

Ao fundar a Congregação dos Oblatos,

Padres do Sagrado Coração de Jesus,

Padre Dehon quis que seus membros unissem,

de maneira explícita,

sua vida religiosa e apostólica

à oblação reparadora de Cristo ao Pai em favor da humanidade.

Essa foi sua intenção específica e original

e a índole própria do Instituto (cf. LG e PC),

o serviço que é chamado a prestar à Igreja.

Segundo dizia o próprio Padre Dehon:

Nestas palavras: Ecce venio…, Ecce ancilla…,

encontram-se toda a nossa vocação,

a nossa finalidade,

o nosso dever, as nossas promessas (DSP I, 3).

Cst 6

 

A espiritualidade Cristã religiosa está relacionada essencialmente com a presença e ação do Espírito Santo, fato que Deus se revela em tudo o que Jesus viveu e ensinou como obra ou projeto de Deus Pai. Padre Dehon ao fundar sua congregação, queria exprimir a espiritualidade do Coração de Jesus, a civilização do amor no mundo. Esta espiritualidade foi o fruto da profunda experiência de fé, na contemplação do lado trespassado pela lança do soldado. É aqui onde Padre Dehon sente o grande amor com que Deus Pai nos amou, e isso mexeu com todo ser espiritual deste jovem padre; e daí, a necessidade de retribuir este amor.

Este pequeno artigo, que é um fundamento de Cst 6, se situa na primeira parte, que é muito fundamental. Procura ajudar e recordar aos confrades e aos demais leitores da família dehoniana a motivação pelo qual deve espelhar o nosso ministério pastoral no testemunho da vida religiosa dehoniana como desejo e razão pela qual o Padre Dehon desejou aos seus membros.

A vocação do Padre Dehon foi a manifestação e iluminação do espírito para entender e exprimir a revelação especial do amor de Deus na Igreja e na Humanidade. Ele quis comunicar e viver sua fé no Coração de Jesus com seus membros como missão à qual de Deus chama a cada um a testemunhar a sua vida religiosa e sacerdotal.

É nesta vertente que o religioso dehoniano é formado segundo o Coração de Jesus! Ele é mergulhado totalmente no sangue e água de Cristo para ser um testemunho vivo do amor de Deus na igreja e na sociedade com um olhar diferente.

Por isso que, o n. 6 das nossas constituições, exprimem claramente que os membros desta família (Dehoniana), de mão dadas, vivam a sua vocação religiosa, ligados intrinsecamente à missão da igreja (apostolado), disponibilizados totalmente na oferta (gratuidade) incondicionalmente ao sacrifício de Cristo, tendo toda atenção à reparação da humanidade, o amor de Deus Pai no coração do mundo. Nisto, notamos que a vocação à vida religiosa nasce na igreja, se forma e se desenvolve um carisma numa família religiosa específica (SCJ) e atua na igreja, na qual mostra o rosto de Cristo com o coração trespassado à sociedade com obras sociais com caraterísticas destintas.

Portanto, os confrades dehonianos na sua missão têm ou expressam algumas dimensões, nomeadamente:  o estilo de coração, do qual é formado, o estilo de vida, da qual, o amor guia e inspira o seu dia a dia e o estilo de obras como ação e contributo visível na igreja e na humanidade. Tanto que, o desejo do nosso fundador foi exatamente o de tornar realidade o Reino do Coração do Jesus nas almas e nas sociedades expressa biblicamente na seguinte frase: “Adveniat Regnum tuum – Venha a nós o teu reino” (Mt 6, 10). Essa, é a expressão máxima da espiritualidade do Padre Dehon, que ardentemente pediu aos seus membros que manifestassem na Igreja para que o Coração de Jesus trespassado, tocasse a cada pessoa, as autoridades civis, que a Igreja implantasse e vivesse este amor.

Em detalhes da segunda parte das Cst 6, o serviço de um religioso dehoniano é condicionado pela disponibilidade de adesão à Jesus e Maria, Ecce Venio e Ecce Ancilla (Eis-me aqui e Eis a serva do Senhor) para fazer a vontade do Pai na Igreja e no mundo. Assim como o reino para Jesus Cristo foi a grande preocupação e anseio, assim também foi profundamente o Zelo do Padre Dehon a presença do amor do Coração de Jesus, antes nos seus membros e depois, obviamente, para a vida espiritual das pessoas…

A Congregação Dehoniana é uma das vozes espirituais e sociais da igreja. O Padre Dehon quando pediu aos seus religiosos para saírem fora das sacristias, foi precisamente para ir ao encontro do povo e ajudá-lo com uma ação apostólica, como dever da Igreja que se mergulha nos problemas sociais dos seus fiéis e do mundo; pois, na visão do fundador, a existência da Igreja não é só para formar almas piedosas, mas também fazer reinar a justiça social de que o povo precisa e que passa privado e arrancado a sua dignidade e seus direitos a cada momento da sua história. Por isso, o sacerdote do Sagrado Coração de Jesus deve viver e morrer como verdadeira vítima reparador do que foi a vida e obra de Jesus. É por isto que os confrades procuram manifestar a glória de Deus na igreja contemplando o maravilhoso Coração de Jesus em todas as suas obras apostólicas.

Contudo, este número das Constituições nos orienta e atualiza que somos um instrumento fundamental de serviço na Igreja e para a igreja, que é povo de Deus. A nossa missão é para a Igreja. Portanto, é uma expressão do seguimento radical de Cristo e sinal visível do reino de Deus na humanidade. Isto significa que todo o fazer do religioso dehoniano deve manifestar o ser reparador. Somos um sinal vivo da manifestação do Coração de Jesus na Igreja. Façamos nossa parte contribuindo para a Igreja com as nossa obras de caridade em serviço da Igreja.  Como afirma a Perfectae Caritatis 25: “Todos os religiosos, portanto, difundam no mundo inteiro a boa nova de Cristo, pela integridade da sua fé, caridade para com Deus e para com o próximo, amor à cruz e esperança da glória futura, a fim de que o seu testemunho seja visível a todos e glorificado o nosso Pai que está nos céus” (cf. Mt. 5,16). Somos parte disso e somos servidores da Igreja com o nosso carácter dehoniano.