Atualidades Dehonianas de Outubro

Um Exemplo de Misericórdia: Beatificação do Padre Martino Capelli, SCJ

Fr. Ricardo Vinter, scj

 A Igreja e a nossa Família Dehoniana viveram um momento de profunda graça. No dia 27 de setembro de 2026, na Igreja de São Petrônio, em Bolonha, o Padre Martino Capelli, SCJ, foi solenemente beatificado como mártir da fé. Na mesma celebração, também foram elevados aos altares os sacerdotes Elia Comini (salesiano) e Ubaldo Marchioni (diocesano), testemunhas de uma entrega generosa durante os sombrios anos da Segunda Guerra Mundial.

Membro dos Sacerdotes do Coração de Jesus, o Padre Martino pautou sua vida pela consagração total e pela devoção a Nossa Senhora das Dores. Em meio ao conflito em Pioppe di Salvaro, encarnou a misericórdia dehoniana em cada gesto: alimentou famintos, cuidou dos doentes, consolou prisioneiros e recusou-se a abandonar o povo confiado aos seus cuidados.

Seu martírio, em 1 de outubro de 1944 pelas tropas nazistas, coroou essa vida de doação. Mesmo no instante supremo do fuzilamento, entre preces e a absolvição aos companheiros de cativeiro, suas últimas palavras foram de perdão e fé: “Nós perdoamos” e “Meu Jesus, misericórdia!”. Agonizante, ainda reuniu forças para abençoar a todos com o sinal da cruz.

A beatificação do Beato Martino Capelli e de seus companheiros deixa para a nossa Congregação um legado luminoso. Seu exemplo de amor e reparação nos convoca a viver o Evangelho com coragem, mostrando que a verdadeira santidade se constrói na doação fraterna aos que mais sofrem.

 


 

Assembleia da Província BSP reflete sobre o nome oficial da Congregação

P. Victor de Oliveira Barbosa, scj

Na tarde do dia 10 de setembro de 2026, durante a Assembleia Provincial da Província Brasil São Paulo (BSP), em São Lourenço/MG (7 a 11 de setembro), o P. Victor de Oliveira Barbosa conduziu uma reflexão para auxiliar os membros a definirem a denominação mais adequada para a instituição. A palestra propôs o resgate e o uso preferencial da nomenclatura oficial, “Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus”, em substituição ao termo popular “Padres”.

Ancorada nas fontes carismáticas dehonianas e na eclesiologia do Vaticano II, a reflexão evidenciou que a escolha do nome supera a dimensão filológica ou jurídica, expressando a síntese da identidade e a direção da missão do instituto. Destacou-se também que a Província BSP é atualmente a única entidade de língua portuguesa a adotar formalmente o termo “Padres do Sagrado Coração de Jesus”.

A reflexão do P. Victor articulou-se em quatro eixos centrais:

  • Sacerdócio batismal e inclusão: em sintonia com a Lumen Gentium, o termo “Sacerdotes” fundamenta-se no sacerdócio comum dos batizados, acolhendo com igual dignidade os irmãos leigos consagrados e os ministros ordenados.
  • Superação do clericalismo: a palavra “Padres” associa-se estritamente ao ministério presbiteral e ao culto ritual. “Sacerdotes” amplia a visão pastoral para “sair das sacristias”, “ir ao povo” e servir nas periferias.
  • Natureza oblativa: o termo “Sacerdotes” resgata a intuição inicial do Fundador, Padre Dehon, que quis nomear o instituto como “Oblatos”, definindo a vocação dehoniana pela união ao Ecce Venio e à oblação reparadora de Cristo, modo como vive o seu sacerdócio.
  • Primazia da consagração religiosa: o termo “Sacerdotes” reafirma que os membros ordenados da Congregação são “religiosos sacerdotes”, sendo o ministério presbiteral um serviço decorrente da profissão religiosa.

Ao final da palestra, P. Victor ressaltou que assumir a denominação oficial fortalece a comunhão fraterna e garante a fidelidade ao carisma dehoniano. A conferência foi calorosamente acolhida pelos membros da assembleia, gerando reações e apreciações amplamente positivas. O aprofundamento promovido pela reflexão colaborou decisivamente para que a assembleia pedisse uma revisão da nomenclatura oficial atualmente em uso.

 


 

Formação sobre a vida e espiritualidade de Padre Dehon no Méier

P. Victor de Oliveira Barbosa, scj

No dia 19 de setembro de 2026, a Paróquia Sagrado Coração de Jesus, localizada no bairro do Méier, no Rio de Janeiro/RJ, promoveu um encontro de formação dehoniana ministrado pelo P. Victor de Oliveira Barbosa, SCJ. O evento teve como tema a vida e a espiritualidade do fundador da Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus.

A formação foi desenvolvida a partir de uma rica apresentação visual intitulada “Padre Dehon: imagens de uma vida”. Por meio do recurso das imagens e registros históricos, o palestrante conduziu os participantes por um itinerário envolvente que ajudou a percorrer os fatos marcantes da trajetória de Dehon, bem como as experiências humanas e de fé que compuseram sua profunda espiritualidade.

Visando atender às necessidades da comunidade e das diversas frentes pastorais, o encontro foi oferecido em dois momentos ao longo do dia para grupos distintos:

  • Período da manhã (9h30 às 11h30): voltado para os membros do Conselho Pastoral Paroquial (CPP), da equipe de liturgia e ministros da eucaristia;
  • Início da noite (18h30 às 20h30): direcionado aos Leigos Dehonianos, à Juventude Dehoniana e aos acólitos.

Ao encerramento das atividades, destacou-se a excelente e expressiva acolhida por parte de todos os presentes. A iniciativa evidenciou a relevância de formar os agentes e valorizar continuamente a identidade da espiritualidade dehoniana em uma comunidade paroquial confiada à própria Congregação.

 


Formação Provincial para os Neossacerdotes da Província BSP

P. André Luiz de Souza Alves, scj

Entre os dias 21 e 25 de setembro, na Casa de Encontros de Aldeia da Serra, em São Paulo, foi realizada a Formação Provincial destinada aos neossacerdotes da Província BSP. O encontro constituiu-se como um importante momento de aprofundamento formativo, reflexão, convivência fraterna e partilha de experiências entre os participantes. Durante toda a programação, contamos com a presença e o acompanhamento do Superior Provincial, P. Eli Lobato dos Santos, evidenciando o compromisso da Província com o acompanhamento e a formação permanente de seus sacerdotes.

Na terça-feira, o P. Emerson Marcelo Ruiz conduziu uma formação de caráter dehoniano, propondo uma leitura reflexiva de três importantes cartas do fundador, Padre João Leão Dehon. Foram contemplados diferentes momentos de sua trajetória vocacional e sacerdotal: uma carta do início de sua formação no seminário, outra escrita nos primeiros anos de seu ministério presbiteral e, por fim, seu Testamento Espiritual, redigido próximo ao término de sua vida. A reflexão possibilitou perceber a continuidade e o amadurecimento da espiritualidade dehoniana ao longo da vida do Fundador.

Na quarta-feira, os psicólogos Cristina Esteves e Antônio Siqueira conduziram uma formação humano-afetiva, favorecendo a reflexão sobre aspectos fundamentais da maturidade afetiva, das relações interpessoais e da vivência equilibrada do ministério sacerdotal. Na quinta-feira, o P. Eli conduziu uma partilha sobre a realidade e a vida da Província. No período da tarde, o P. Guilherme César ofereceu uma formação sobre aspectos canônicos relacionados à vida e ao exercício do ministério sacerdotal. A sexta-feira foi novamente marcada por um momento de partilha com o Superior Provincial, encerrando o percurso formativo.

Além das formações propostas, o encontro foi enriquecido por momentos de oração, celebração, convivência fraterna, partilha de vida e reencontros. A experiência permitiu aos neossacerdotes renovar a consciência de que o ministério presbiteral não é vivido de maneira isolada, mas inserido em uma comunidade religiosa que acompanha, orienta e sustenta seus membros. Ao longo desses dias, foi possível perceber de modo concreto o cuidado da Província BSP com a formação permanente dos neossacerdotes, reconhecendo que os primeiros anos do ministério constituem uma etapa particularmente importante para o amadurecimento humano, espiritual, pastoral e dehoniano. A iniciativa, portanto, reafirma a importância de uma formação contínua, capaz de favorecer a fidelidade à vocação recebida, o crescimento na identidade sacerdotal e a disponibilidade para a missão da Congregação.