P. Julien Benedito Maria LEQUEUX (1861–1908) Uma vida dedicada à formação

P. Emerson Marcelo Ruiz, scj

Nascimento: 15.09.1861 – Sains-Richaumont
Postulantado: 14.09.1881
Primeira profissão: 01.06.1883 – Sittard
Ordenação sacerdotal: 19.12.1885 – Soissons
Superior em Roma: 1892-1894
Superior em Luxemburgo: 1895-1902
Superior em Clairefontaine: 1902-1907
Falecimento: 11.04.1908 – Fieulaine

Julien Lequeux nasceu em Sains-Richaumont, no norte da França, em 15 de setembro de 1861. Sua história se entrelaçou muito cedo com as obras de Padre Dehon. Foi aluno do Colégio São João, em São Quintino, e integrou o grupo dos primeiros jovens que participaram da Congregação Mariana organizada naquela instituição em 1878. O ambiente educativo criado por Padre Dehon tornou-se também o espaço onde amadureceu sua vocação religiosa (cf. NHV 13/28-29).
Iniciou o postulantado em 14 de setembro de 1881 e fez sua primeira profissão religiosa em Sittard, em 1º de junho de 1883, tendo como mestre de noviços o P. Francisco Xavier Lamour, um dos primeiros religiosos da Congregação. Assumiu o nome religioso de Benoît-Marie (Benedito Maria) e foi ordenado sacerdote em Soissons, em 19 de dezembro de 1885.

Os primeiros anos de seu ministério sacerdotal estão menos documentados. As fontes registram sua presença em Lille, em 1887, onde exerceu a função de ecônomo. Em agosto de 1890, uma carta de Léon Harmel informa que P. Lequeux estava em Val-des-Bois, mas não existem outros documentos sobre isso. Os documentos disponíveis, porém, não permitem estabelecer quando chegou àquela obra nem por quanto tempo ali permaneceu.

A partir dos anos seguintes aparece com mais clareza a missão que marcaria quase toda a sua vida religiosa: a formação. Em novembro de 1891, P. Lequeux já se encontrava em Roma. Uma pequena carta dirigida a Padre Dehon mostra-o acompanhando a saúde do Fr. Paulin Delloue. Relata uma leve hemorragia, a decisão de solicitar a consulta de um segundo médico e conclui exprimindo confiança em Nossa Senhora de Lourdes (cf. AD B 73/2, inv. 964.01).

Imagem reconstituída por IA.

Em 1892, recebeu uma responsabilidade particularmente exigente: tornou-se superior da Residência de Estudos de Roma, então instalada junto à igreja de Nossa Senhora do Sufrágio, na Via Giulia. Era ainda relativamente jovem para uma missão que envolvia a formação dos estudantes e a organização da primeira presença dehoniana na cidade de Roma. O período foi marcado por dificuldades na relação com a Arquiconfraria responsável pelo local. Durante o III Capítulo Geral, em 1893, discutiu-se a situação da residência e a necessidade de procurar outra sede. Em março de 1894, o escolasticado transferiu-se para a Via Monte Tarpeo, próximo ao antigo Fórum Romano. Pouco depois terminou a missão de P. Lequeux em Roma.

Essa experiência, contudo, não encerrou seu serviço de formação. Em 1895 foi nomeado superior do escolasticado de Luxemburgo, onde permaneceria por aproximadamente sete anos. Uma correspondência enviada a Padre Dehon em dezembro de 1900 oferece uma imagem simples daquela comunidade: P. Lequeux informa que o retiro pregado pelo P. Thoss havia sido “excelente” e acrescenta que estavam “todos contentes”, antes de desejar ao Fundador boa festa de São João e feliz Ano-Novo (cf. AD B 76/3, inv. 981.70).

Sua participação não se restringiu à direção das casas de formação. P. Lequeux também tomou parte na vida institucional da jovem Congregação. Foi escolhido como capitular em 1896 e novamente em 1902. No VI Capítulo Geral, realizado em Lovaina, em setembro de 1902, seu nome aparece entre os participantes. Sua presença nesses momentos mostra a confiança que lhe era concedida e sua inserção nos processos de discernimento da Congregação. Ainda em 1902, deixou Luxemburgo e assumiu a direção da Escola Apostólica de Clairefontaine. Novamente, sua missão estava diretamente relacionada à educação e ao acompanhamento das vocações. Permaneceu nessa função até 1907.

Sua saúde, entretanto, tornou-se progressivamente frágil. Em 1907, P. Lequeux precisou deixar a direção de Clairefontaine. As fontes históricas disponíveis não permitem reconstruir a doença que o atingiu. Sabemos apenas que sua condição de saúde o obrigou a abandonar aquela responsabilidade. Morreu em Fieulaine, em 11 de abril de 1908, com apenas 46 anos, na casa de seu irmão, que também era sacerdote.

A trajetória de P. Julien Benoît-Marie Lequeux pode ser compreendida sobretudo à luz de uma palavra: formação. Roma, Luxemburgo e Clairefontaine constituíram as três grandes etapas de sua missão. Os relatos históricos o recordam como “um homem de valor, muito ativo” e afirmam que dedicou praticamente toda a sua vida à formação. Em uma Congregação ainda jovem, que precisava preparar religiosos para sustentar sua rápida expansão, seu serviço foi discreto e fundamental. P. Lequeux pertence, assim, ao grupo daqueles “irmãos mais velhos” que ajudaram a consolidar a Obra pelo trabalho paciente de preparar novas gerações para continuar a missão recebida de Padre Dehon.