P. ADRIANO AFONSO MARIA RASSET (1843-1905)
O primeiro discípulo de Padre Dehon
P. Emerson Marcelo Ruiz, scj

P. Afonso Maria Rasset, scj, (1843 -1905)
Nascimento: 07.09.1843
Ordenação Presbiteral: 06.06.1868
Ingresso no noviciado: 12.08.1878
Primeira Profissão: 08.09.1879
Votos Perpétuos: 17.09.1886
Falecimento: 04.11.1905
A reverência devida ao P. Afonso Maria Rasset não decorre unicamente dos diversos trabalhos que assumiu no Instituto, mas deriva sobretudo da sua capacidade de compreender as intuições carismáticas de Padre Dehon. Assistente Geral por muitos anos, não foi o primeiro a ingressar na Obra, mas foi o primeiro a seguir verdadeiramente o Fundador. Ao lado do P. Falleur (primeiro Ecônomo Geral), P. Rasset é aquele sobre o qual mais dispomos de informações. Além de diversas cartas, informações em Notes sur l’histoire de ma vie [NHV] e Notes Quotidiennes [NQT], temos sua biografia – Um sacerdote do Sagrado Coração. Vida edificante de R. P. Alphonse-Maria Rasset” (1920) [PSC] – escrita pelo Fundador.
Nascido em 07 de setembro de 1843, em Jouvincourt (Aisne), foi ordenado sacerdote em Soissons em junho de 1868. Ainda como Pároco em Sains, fez parte do Oratório Diocesano de São Quintino, fundado por Padre Dehon para a santificação do clero. O primeiro contato entre o Fundador e P. Rasset remonta a 1875, quando ele buscou conselhos sobre a criação de um Círculo de Operários em Sains. Os dois sacerdotes tinham ideias convergentes sobre os desafios pastorais da França. Em 1881, P. Rasset escreveu: “Sempre pensei que o primeiro trabalho a ser feito deveria ser a santificação do clero. No seminário, em minha época, a ideia predominante era que havia a necessidade de uma associação especial com um modo de vida que permitisse ao sacerdote dedicar-se ao santo ministério, sem sofrer o prejuízo que vemos…” (PSC 334). Em 1874, quando Padre Dehon fundou o Oratório Diocesano afirmou: “Queríamos fazer algo pelo clero, por sua santificação, que é o melhor dos apostolados” (NHV 10/130).
As aspirações de Padre Dehon e P. Rasset convergiam: buscar a vida religiosa como uma vivência mais “devota” e mística, mas sem renunciar aos trabalhos pastorais. Por isso, almejavam a integração entre obras exteriores e vida interior, entre o apostolado de matriz inaciana e a reparação nos moldes de Santa Margarida Maria. Perseguiam um modelo de vida em que a oblação se traduzisse em zelo apostólico.
A formação de P. Rasset durou pouco mais de um ano: começou seu postulantado em junho de 1878, no mesmo dia em que o Fundador emitiu seus primeiros votos religiosos. Menos de dois meses depois, em agosto, iniciou o Noviciado. Treze meses mais tarde, fez a Primeira Profissão.
Na introdução à sua biografia, Padre Dehon escreveu sobre P. Rasset: “Sua biografia é como um manual pastoral adaptado às necessidades da sociedade contemporânea. Os fiéis a lerão com edificação, mas os sacerdotes, em particular, encontrarão nela os mais puros e ativos estímulos ao zelo, à devoção e ao sacrifício. Parece-me que este livro será um dos mais úteis em qualquer biblioteca sacerdotal” (PSC 1).
De fato, P. Rasset foi um modelo de devoção e zelo apostólico, um sacerdote que soube se doar ao apostolado e às obras do jovem Instituto, assumindo alguns encargos muito particulares, como a busca de um lugar para um novo noviciado na França ou o estudo de uma fundação na Inglaterra. Trabalhou no Patronato até 1885, foi pároco, professor, vigário, mestre de noviços, formador, escritor, missionário…
Entre 1886 e 1902, foi o primeiro Assistente Geral da Congregação. Neste mesmo período, foi igualmente “missionário diocesano” visitando diversas paróquias da diocese para ciclos de missão através da pregação, visita às famílias, confissões etc.
Entre 1887 e 1888, P. Rasset foi o mestre no Noviciado da França. A partir de 1893, participou da Comissão de Estudos Sociais que preparou o “Manual Social Cristão”. Em seguida, retomou o apostolado das missões diocesanas e, apesar da saúde frágil, exerceu-o até 1902.
Permaneceu na França quando os religiosos foram expulsos em 1903, pois não achava adequado ir para a Bélgica depois de trabalhar por 35 anos na Diocese de Soissons. Neste período, sofria de câncer no estômago. Em dezembro de 1904, quis deixar a França e ir para Louvain, mas a doença se agravou e ele morreu em 4 de novembro de 1905, em Lille, onde havia passado por uma cirurgia.
Quando Padre Dehon afirma que a biografia de P. Rasset era um “como um manual pastoral adaptado às necessidades da sociedade contemporânea” (PSC 1), ele reconhecia neste padre um modelo de pastor no qual o apostolado fiel, animado por uma intensa vida espiritual, se converte em oblação, sacrifício e imolação. Assim, a experiência espiritual de P. Rasset é a integração de um abnegado apostolado com uma perseverante vida interior. A dedicação às obras é expressão da união com Jesus. Leão Dehon e Adriano Rasset nasceram no mesmo ano e tinham propósitos muito próximos e, neste sentido, podemos dizer que P. Rasset é uma expressão fiel do projeto do Fundador.
Descrevendo a experiência de fé do Fundador, nossas Constituições afirmam: “Essa adesão a Cristo, nascida do mais íntimo do coração, realiza-se em toda a sua vida, sobretudo no seu apostolado, caracterizado por uma constante atenção às pessoas, em especial para com os mais desamparados […]” (Cst 5). P. Rasset encarnou fecundamente este propósito e, à vista disso, a sua vida é um tesouro fecundo e atual que nos enriquece espiritualmente e nos ensina a perpetuar um apostolado com identidade carismática.