P. Victor de Oliveira Barbosa, SCJ
Um pouco de história…
Iniciamos um percurso de estudo e meditação da Regra de Vida, fruto do processo de renovação da Congregação impulsionado pelo Concílio Vaticano II. Em resposta às orientações conciliares, realizou-se o XV Capítulo Geral, em duas sessões (1966 e 1967), conhecido como Capítulo Especial de Renovação. O eixo central desse trabalho foi a reelaboração das Constituições.
Como resultado imediato, em 1968 foi publicado o documento Diretivas Capitulares. Na Conferência Geral de 1969, apresentou-se um texto com princípios gerais e um plano estrutural para as novas Constituições. Uma comissão redigiu um primeiro projeto, distinguindo uma parte constitucional e uma parte diretiva. Esse texto foi levado ao XVI Capítulo Geral de 1973, sendo aprovado como texto provisório: “Nossa Regra de Vida” (1973) e “Normas Práticas” (1974).
A partir das emendas recebidas, uma nova comissão preparou a versão reformulada, aprovada no XVII Capítulo Geral de 1979 e publicada em 1980 como Constituições SCJ. Após ajustes, o texto foi encaminhado à Santa Sé, que o aprovou em 1982. Em 1983, foi promulgada a Regra de Vida SCJ: Constituições e Diretório Geral, com os respectivos decretos, confirmados no XVIII Capítulo Geral (1985). Em 1997 e 2009, os Capítulos Gerais XX e XXI introduziram correções e adaptações linguísticas, posteriormente aprovadas pela Santa Sé.

Natureza da Regra de Vida
O termo “Regra de Vida” designa o documento que reúne os elementos carismáticos e os princípios jurídicos fundamentais da Congregação. O texto distingue claramente:
Essa separação permite atualizar normas e procedimentos sem alterar o núcleo carismático, como ocorreu nas revisões de 1997 e 2009.
A numeração segue a das Constituições. O Diretório Geral adota os mesmos números dos parágrafos que especifica, não possuindo numeração contínua. Utilizam-se as siglas Cst (Constituições) e DG (Diretório Geral).
Estrutura da Regra de Vida
A Regra de Vida está organizada em cinco partes, precedidas pelos dois primeiros capítulos das Constituições de 1956, conservados como introdução por determinação da Santa Sé, para assegurar continuidade histórica e carismática.
As duas primeiras partes apresentam a identidade espiritual e carismática; as demais tratam dos elementos organizativos da vida religiosa: formação, autoridade e administração.
Quatro insistências fundamentais
A leitura transversal da Regra de Vida evidencia quatro grandes enfoques:
Um texto espiritual para ser vivido
A Regra de Vida tem caráter organizativo, mas, sobretudo, espiritual. Recolhe a essência do nosso carisma e orienta a maneira própria de seguir Cristo e de servir à Igreja. Por isso, deve ser continuamente revisitada, relida, estudada e meditada.
Para os dehonianos, a Regra de Vida é uma atualização do Evangelho, expressão concreta da vocação recebida e referência permanente para a vida e missão. Deveria ser, de fato, um “livro de cabeceira”.